A palavra amor em grego tem 5 versões:
1) AGAPE= um tipo de amor que ficou mais conhecido com o advento do cristianismo por ser o amor que o deus judaico-cristão sentiu pela humanidade, criando-a; por pura gratuidade já que Ele é perfeito e não precisaria da humanidade para nada. É um amor sobrenatural, não é deste mundo.
2) PHILEO = amor que espera algo em troca, o amor do homem com seu irmão, sua família, amigos. É amar o outro enquanto o outro. Um amor de intercambio, de partilha. São raros os seres humanos que consegue amar-se dessa forma.
3) EROS = amor pelo grande, pelo belo, pelo desejo, amor do homem para a mulher. É aquele amor que desperta a paixão, é o amor que aproxima dois seres, desencadeando uma série de sensações agradáveis. Mas este não é passageiro como a paixão. É o amor do inferior pelo superior, o amor pela beleza, o amor pelo corpo. Se não passar de um amor pelo corpo para um amor pela alma, a pessoa fica presa no amor porneia. Não da para ter so um amor animal, somos tambem anjos. O duro é reconhecermos esse nosso lado pois ainda somos animais. È tambem o amor do carente.
4) PLATONICO: em filosofia não é o mesmo que no senso-comum. Ele significa amor ao belo, ás formas, é amor do intelecto. É o amor que não usa os sentidos. É por isso que no senso comum se diz que é o amor em que os amados nunca se tocam.
4) PORNEIA = amor da criança pela mãe, que só recebe. Neste tipo é de onde deriva a pornografia. O pornô é aquele amor que não tem compromisso algum. É o contato com o objeto. O que importa é a satisfação imediata. Há probabilidade de que esta palavras tenha ligação com o verbo pernumi - que significa "vender". Ainda encontramos homens e mulheres de cinquenta anos que amam como bebes, devoradores. Não evoluiram.
Quando éramos bebes, aprendemos a primeira forma de nos relacionar com os outros, a primeira forma de amar que, segundo Leloup, é o amor porneia. Este amor conta-nos de um tempo quando nossas mães (ou a pessoa que faz o papel de nossa cuidadora) eram aquelas que existiam para satisfazer nossa necessidades e demandas, nossas fomes , nossas faltas. O leite materno , o amor-alimento, satisfazia nossos apetites, sem exigências de reciprocidade, todos os nossos desejos eram realizados . A mãe, nesta fase da vida, está ali para nos atender, e isto é natural e necessário á sobrevivência dos bebes. No entanto, muitos adultos permanecem fixados nesta maneira devoradora de lidar com o outro, transformando-o em um objeto a ser consumido. Querem vivenciar apenas o principio do prazer.
As vezes encontramos pessoas presas , fixadas no prazer de sugar o outro... É como se houvesse um grande desejo de se fundir ao outro, ansiosamente... há uma busca pelo momento em que uma fagulha da energia amorosa pode ser tocada quando , por um pequeno intervalo de tempo e espaço eu posso me sentir fundido com o outro, misturado... e consigo assim a provisória sensação de preenchimento de minha falta, de povoar a minha solidão, de saciedade para a criança que vive em mim.
Alguns substitutos, como o álcool e as drogas , podem ser buscados para conservar o individuo nesta forma de relação , regredido e preso ao bebe que vive dentro dele.
Por que há pessoas que caminham vida afora sempre em busca de serem adotados?
A autora (Anna Patrícia) diz que o amor de bebe pode ser compreendido como um amor de consumo, segundo o qual aquele que se sente vazio, deseja absorver o outro para se sentir preenchido, saciado, amado...
È fácil encontrarmos hoje em dia uma dinâmica coletiva consumista e devoradora, segundo a qual tudo e todos transformam-se em objetos a serem comidos, devorados, para alimentar o bebe interno, num gesto que condena uma pessoa a repetição incessante... porque trata-se de um vazio que nunca se preenche.
Na pornografia, o principio de Eros , o erotismo que empresta energia, prazer, fantasia e a sexualidade reduzem-se a dimensão material do corpo , e de um corpo que se fragmenta em partes, para despertar e concretizar o desejo.
Referencias:
Corpo: prazer, dor e luz (Anna Patricia C. Bogado)
www.artigonal.com (Gerson Nei Lemos Schulz)






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